Comoditização do M&A

Desde que iniciamos a nossa trajetória em 2009, resultando na criação do escritório em 2010, passamos por várias transformações. Troca de marca e identidade, definição de nossa missão, visão e dos nossos valores, saída e entrada de sócio, troca de sede e, recentemente, definição de nosso mantra, ou propósito. No passado, buscamos desmistificar a ideia de que somos uma boutique de fusões e aquisiçõesM&A) para nos chamar de um escritório especializado em M&A e private equity, com poucas pessoas realizando grandes operações.
O que provoca essa incansável busca por uma identidade, sempre em transformação? Respondo: o mercado. Em um ambiente cada vez mais competitivo, em pouco mais/menos de uma década, o trabalho do advogado em operações de fusões e aquisições passou de um trabalho especializado para uma comodity. Quem nunca ouviu essa frase: “Qualquer um consegue fazer uma operação de M&A”. Porém, até que ponto é verdade?
Voltemos ao início da nossa trajetória. Montamos o escritório para realizar operações de uma forma diferente e inovadora, com foco no cliente. Sempre comparamos nossa atividade a jazz. Foi isso que nos inspirou no início. Mas, por quê?
A sincronia, arranjo, dedicação, refinamento, primor técnico e improviso, porém de forma organizada e pensada, dos músicos em uma banda de jazz podem ser comparados ao trabalho feito pelo escritório em uma operação de fusão e aquisição, ou qualquer outro trabalho aqui realizado. Cada operação é única, cada cliente é único e os resultados são completamente diferentes. Aqui, não olhamos os trabalhos do escritório como comodity – aqui, cada trabalho é, desculpe-me pela licença poética, uma obra prima.
John Coltrane resumiu sua música em poucas palavras: “você não precisa entender a música, apenas ter uma reação emotiva que significa que existe uma comunicação entre o músico e o ouvinte”.
O cliente busca um resultado diferenciado do nosso trabalho e, para tanto, a comunicação com o advogado é essencial. Buscamos provocar no cliente o mesmo sentimento que Coltrane provoca com a sua música Giant Steps. É uma peça de tirar o fôlego. O ouvinte fica tão absorvido na música e melodia frenética do saxofone de Coltrane, piano de Tommy Flanagan, baixo de Paul Chambers e bateria de Art Taylor que esquece de respirar. Quando você acha que vai acalmar e consegue tomar um fôlego, os músicos te surpreendem com outros ritmos e acordes.
As operações de fusões e aquisições são muito complexas e requerem advogados que possam trabalhar de forma coordenada e com muita dedicação, refinamento e melodia. Cada operação é única e tem suas próprias peculiaridades. Assim como cada cliente. O advogado precisa ouvir o cliente com comprometimento, tomar decisões com cautela e se posicionar com clareza, buscando realizar histórias de sucesso com o cliente. Por esse motivo, a escolha do advogado de fusões e aquisições deve ser pensada com cuidado, sempre em busca daquele parceiro que vá atender as necessidades específicas de cada caso.
Por Henrique Martins, sócio do Candido Martins Advogados
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